DEMARCANDO FRONTEIRAS

“ A vida psíquica do indivíduo não é apenas um fenômeno interno, mas também um processo que se modifica na interação com o mundo que o circunda”. Minuchin

Até onde vai o papel da família e onde começa o da escola? È comum dizer que a família educa e a escola ensina, porém esta concepção pode ser simplista demais para equacionar as relações entre a família e a escola.

Ao nos reportarmos aos estudos da biologia encontramos Ludwing Von Bertalanffys, cujas idéias se difundiram em vários campos como medicina, psicologia, educação etc., transmitindo a importância de se concentrar no padrão dos relacionamentos dentro de um sistema ou entre sistemas e não na substância de suas partes, incentivando-se a pensar na interação. Partindo deste entendimento em qualquer sistema seus elementos são interdependentes e qualquer mudança em um dos elementos é um desafio para o sistema global.

Se pensarmos sistemicamente, considerando a escola e família como subsistemas sociais, teremos como membros os mesmos indivíduos, levando de uma situação para outra as características de comportamentos, crenças e atitudes que propiciam a inter-penetração destes subsistemas. Neste sentido é relevante compreendermos que a se-paração desses subsistemas se dá através de fronteiras (regras implícitas criadas por todos os participantes da própria relação).

Seguindo esta linha de raciocínio o comportamento tem como base os sistemas em que são produzidos e todas as pessoas envolvidas são co responsáveis, (influenciam e são influenciadas). Desta forma a compreensão do comportamento de um jovem na escola seria melhor se contasse com o conhecimento das características de sua família (expectativas e valores), o que é tão importante quanto à família saber que tipo de escola quer para seu filho, qual filosofia, regras, etc. Isto demonstra a necessidade de se saber se as crenças que permeiam as expectativas são de forma a permitir o entendimento entre elas, pois para que um comportamento seja considerado problema é necessário que alguma parte do sistema o defina como tal, o que está diretamente relacionado com as expectativas e normas que regulam as relações inter e intragerações, ou seja, as fronteiras entre os pais, filhos, professores, diretores, etc., por exemplo: um cabelo que é aceito na família, pode ser repudiado pela escola. De modo que os sistemas envolvidos num determinado problema precisam se comunicar, cooperar e também perceber o que têm feito, como têm ocorrido a relação com o jovem e um com relação ao outro para que possam compreender de que forma estão contribuindo para a construção da atitude ou padrão de relação do jovem.


Norma Emiliano