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Felicidade
em par
É comum
nas novelas e romances, os autores unirem os personagens em casais
como prenúncio de um "happy end". Qual será
o motivo? Será censo comum que a felicidade necessariamente
ocorra em par? Em tempos atuais, os solteirões ainda são
considerados seres estranhos e os descasados estão à
procura de um par.
Os papéis
de gêneros sofreram mudanças. A liberdade sexual
alterou muito o perfil dos relacionamentos, mas o par se mantém
em destaque no rol da esperança da felicidade. Será
uma crença, um mito ou uma realidade?
Recuperar
a história de casal no Brasil é observar que no
século XVI e XVII, o amor excessivo era considerado ruim
para a saúde. Nas paixões descontroladas, homens
e mulheres estariam perdidos. O autor Robert Burton em seu livro
Anatomia da melancolia (1639) relata a crença de muitas
pessoas de que o amor podia invadir o corpo como um feitiço
ou encantamento.
Na transição
do século XIX para o XX, o amor passa ser a base da relação,
porém os casamentos eram submetidos à opinião
das famílias. Nos anos 60 e 70 ocorre "a revolução
sexual". A descoberta da pílula anticoncepcional desvincula
a mulher do sexo associado à procriação e
o prazer sexual passa a ser mais valorizado pela mulher.
Apesar dessas mudanças, a maioria das pessoas cultiva a
imagem de um casal que vive em felicidade. Todavia, as estatísticas
das separações indicam que há um grande número
de casais infelizes com seus relacionamentos. Para o filósofo
Schopenhauer "A vida é como um pêndulo, da direita
para a esquerda, do sofrimento ao tédio. Sofrimento por
desejar o que não se tem; tédio porque se tem o
que quer e já não desejá-lo". Desta
forma, assinala a constante insatisfação do homem.
Por outro
lado, com freqüência, as pessoas colocam a sua felicidade
em outras pessoas e nas coisas. Consequentemente, pode se considerar
que é o outro, parceiro, que trará felicidade. Isso
é um dos motivos de cobranças desmedidas que leva
desgaste na relação.
Contudo, a felicidade é um estado emocional que está
no si mesmo, portanto é uma viagem interior de cada um.
Parafraseando M. Ruberck, a felicidade não é uma
estação de chegada, mas um modo de viajar.
Norma
Emiliano
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