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LIBERDADE
PERDIDA
Vivemos momento
de profundas mudanças. Neste contexto a mulher vem ocupando
lugar de destaque, tendo em vista a sua inserção
progressiva no mercado de trabalho e a liberdade que vem alcançando
na esfera sexual. Paralelamente, surgiram novas modalidades de
estrutura da família (uniparental, recasadas). Contudo,
hoje, ocorre um paradoxo: A liberdade X dependência, ou
seja: constatamos cada vez mais a dependência dos filhos
de seus pais, (adolescência prolongada), os
filhos, em sua maioria, de 30 até mesmo 40 anos, residem
com os pais, transitam pelas casas de amigos e namorados, têm
liberdade de ir e vir, mas, normalmente, não colaboram
com as despesas ou dependem financeiramente dos seus pais; por
outro lado avós vêm exercendo função
de pais, criando literalmente seus netos.
A conjuntura
sócio-econômica pode ser referenciada como a causa
da permanência dos filhos na dependência dos pais,
o que não invalida a regra: todo o direito tem em contrapartida
o dever. Contudo, será que está regra vem se aplicando
ao contexto familiar? Será que os filhos se sentem responsáveis
por suas atitudes, arcando com o ônus da sua liberdade?
Será que os pais construíram sua estrutura pessoal
e estão prontos para usufruir o momento que seria de liberação
pelos filhos serem adultos?
Ao fazermos
referência sobre o modelo convencional de estrutura da família
(pai, mãe e filhos) podemos concluir que os seus remanescentes
possam estar aprisionados em papéis. isto é: a mulher,
cuja única identificação é o ser mãe,
ao atingir a etapa do ciclo familiar dos filhos adultos, pode
se sentir perdida e inútil. O homem, cuja única
identificação era o trabalho, ao se aposentar pode
sentir-se vazio. Em contrapartida os filhos tornam-se, adultos
e pais sem conseguirem sair da posição de filhos
(dependentes emocionalmente dos pais) criando-se assim um solo
fértil para a manutenção do paradoxo: liberdade
X dependência.
Como construir
a relação paterna com afeto, respeito e sem culpa?
Se pensarmos que a construção da afetividade requer
o dar e receber; que os filhos de avós confundem-se, pois
hierarquicamente sentem-se nivelados aos pais (vêem-nos
como irmãos) e que as mulheres atuais buscam independência
financeira, mas o seu modelo materno lhe dá sentimento
de culpa concluímos que estes dados nos remetem a dificuldade
que o ser humano tem enfrentado para estabelecer novas formas
de lidar com a realidade.
Sabemos que
este é um momento transição e que o ser humano
precisa se reorganizar para realizar as mudanças necessárias
e poder alcançar a liberdade, usufruindo com plenitude
de todas as etapas do ciclo individual e familiar, isto é:
que os filhos adultos possam amadurecer, ter seus próprios
filhos e viver a paternidade; os avós possam ter os seus
netos e viver a sua libertação enquanto pais (cuidadores).
Portanto, que a afetividade cresça, a culpa desapareça
e as conquistas atuais sejam fonte de renovação.
Norma Emiliano
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