O SER MÃE

"De geração em geração, de gestação em gestação, ela renasce e caminha lentamente. Com delicadeza e sensibilidade, porém firme em seus propósitos e perspicaz em suas observações ela vem, gradativa e adequadamente, se fortalecendo e abrindo novos horizontes..." Sandra Lia R. Franco.

A revolução industrial trouxe mudanças que influenciaram decisivamente no processo de evolução da mulher e, conseqüentemente, nas relações.

Durante muito tempo a mulher teve seu horizonte limitado ao mundo doméstico. A sua inserção no mercado de trabalho e a revolução sexual forneceram-lhe infinitas opções, levando-a a percepção das diversas formas de ser e de estar no mundo. Entretanto, para poder usufruir deste novo estágio, muitos confrontos surgiram. Assim, partindo do pressuposto que nossas primeiras interações são fundamentais na construção da identidade, surge aqui o maior de todos os confrontos da mulher: o seu modelo materno, que se dedicava inteiramente à família.

Como não ter culpa por não estar totalmente voltada para a família? Como dividir tarefas sem perder o controle do "seu reino" ? Como sentir desejo se tem que se doar? Estas são algumas das questões com as quais elas se depararam.

Houve um momento em que o fascínio pelas oportunidades e desafios iguais fizeram com que algumas mulheres abandonassem seus desejos de constituir família colocando a carreira em primeiro lugar. Outras se transformaram em supermulheres numa intensa dupla jornada de trabalho.

Hoje a família vem tentando adaptar sua estrutura às mudanças e a paternidade compartilhada vem demonstrando suas vantagens: aliviar a mulher da dupla jornada de trabalho (assalariada e educadora); permitir ao homem deixar de ser o único provedor do sustento e também de estar mais próximo dos filhos e vice-versa; permitir a mulher de procurar outros interesses além da maternidade e romper estereótipos de sexo como modelo de papéis.

Norma Emiliano