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Uma
trajetória de amor
No mês
de maio, comemora-se o Dia do Assistente Social. Pensei em escrever
sobre a profissão e considerei que nada seria tão
ilustrativo do que a minha própria trajetória.
Quando escolhi
minha profissão, Assistente Social, não tinha a
dimensão do que me motivara esta escolha.
Logo que me formei, veio o primeiro desafio, fazer parte de uma
dupla para implantar o Serviço Social na Empresa. Jovem
e destemida enfrentei as primeiras incertezas e caminhei fortalecida
pelas conquistas.
Alguns anos nesta área fizeram-me perceber o quanto as
interações eram importantes para o meu crescimento
pessoal e profissional. Estive em contato com os mais simples
funcionários ao mais alto escalão da empresa. Atuei
em vários programas, indo da assistência ao treinamento
à promoção. Assim, fui vencendo a timidez,
o receio do poder e reforcei recursos pessoais importantes para
a minha profissão, como por exemplo: a objetividade, perseverança
e a responsabilidade.
Anos depois, em função da minha escolha amorosa,
fui para o interior, onde tive uma experiência totalmente
diferenciada com uma clientela desprovida de recursos. Neste momento,
eu era a única assistente social da instituição
e tendo que atender às necessidades básicas em programas
assistenciais, busquei alternativas para atingir o plano promocional.
Através de diversos grupos, mães, mulheres, moradores,
e religiosos, associei-me às outras instituições
locais ( Emater, Hospital local, secretaria de Saúde Municipal,
Escolas, etc) para realizar campanhas educativas, seminários
e encontros que produziram reflexões e tomadas de decisões
para melhorias das comunidades e das famílias. Nas trocas
com os clientes e parceiros aprendi muito sobre mim mesma e sobre
a vida. Essas experiências reforçaram -me o amor
à profissão que se mostrava tão significativa
para que eu pudesse alcançar meus objetivos de construir
um mundo mais igualitário e humano.
Retornando ao grande centro, continuei minha busca de crescimento
pessoal e profissional e encontrei mais uma grande paixão:
terapia familiar.
Com este encontro, somei conhecimentos que expandiram minha visão
sobre o ser humano e suas questões, o que foi propício
para a nova área de atuação - a da saúde
do trabalhador.
Nesta nova experiência, pude tocar mais perto a "alma
humana", compartilhar das dores das doenças, das mazelas
da vida e das conquistas do retorno ao trabalho. Através
das reflexões e do entendimento da visão ampliada
do indivíduo, incluindo aí a repetição
do padrão de comportamento adquirido nas famílias,
pude ajudar o trabalhador a ser mais consciente de como agir em
relação a si próprio, à sua saúde,
tornando-se mais responsável, produtivo e motivado no seu
cotidiano.
Esta prática cotidiana do atendimento à pessoa através
do paradigma sistêmico permitiu - me constatar a possibilidade
de impulsionar uma cadeia de mudanças, pois lança-
se a semente da corresponsabilidade dos problemas envolvendo os
trabalhadores, chefias e familiares.
Nesta trajetória, fica em mim a convicção
de escolha guiada pela missão familiar de ser cuidadora.
Cabe ressaltar que esta missão não me veio como
uma carga pesada, mas como a possibilidade de eu entender que
para cuidar do outro, precisaria ter muito cuidado comigo própria.
Enfim, aos 61 anos e 36 anos de profissão, celebro com
orgulho minha trajetória profissional e pessoal orientada
pela paixão pela vida.
Norma Emiliano
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